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Duelo de nomes - André vs Diogo

em 16/10/20


Quando escrevo um post aqui no blog, tenho sempre em mente que tenho dois tipos de público: as pessoas que seguem o blog porque gostam do tema e as pessoas que aqui vêm parar porque estão à procura do nome perfeito para o seu bebé. Estas duas audiências nem sempre estão em sintonia. Nós, aficionados, não queremos nada com os nomes populares e somos super sensíveis ao efeito do tempo nos nomes - o que é contrário àquilo que a maioria dos portugueses acaba por escolher. 

Muito possivelmente, os dois nomes que hoje coloco frente a frente não estariam na lista de quem aqui comenta habitualmente mas é muito provável que estejam a ser equacionados por muitas grávidas. Depois de vários anos no top 10, André & Diogo estão já numa fase de menor popularidade, mas continuam no top 40, o que mostra que continuam a parecer bastante apelativos. São dois clássicos contemporâneos que, apesar de serem medievais, soam de forma muito jovial e acho que são exatamente o tipo de nomes que agradam a quem não quer saber minimamente se um nome foi mais comum há dez anos e agora já não parece novidade. Porque a novidade não faz sentido para todos e essa é a razão porque os rankings são tão estáveis. 

O que é que vocês acham destes nomes? Qual é o vosso preferido? 

Resultado da sondagem:



Fernão, sim ou não?

em 30/09/20


Em 2012, escrevi um texto a propósito de Fernão que poderia reproduzir hoje, sem grandes alterações: continuo a preferir Fernão a Fernando - que, para mim, ainda parece um pouco datado - e sinto que Fernão não destoaria por aí além junto dos nomes de estilo medieval que continuam fortíssimos nos nossos rankings, fazendo par com nomes de outras figuras icónicas, como Gil, Vasco ou Vicente, só para referir alguns. E, apesar de ser um nome caído em desuso e que praticamente não se usa em crianças [não foi registado em 2018 como primeiro nome], Fernão é um nome que uma boa parte dos portugueses verbaliza com alguma frequência, por via da toponímia, pelo que não seria o mesmo que sugerir, por exemplo, o resgate de Urraca. 

Concordam com a minha opinião a respeito de Fernando ou parece-vos cada vez mais usável? E Fernão, está completamente fora de questão? 

Cristóvão

em 15/05/18


No início do mês, alguém questionou a minha opinião sobre o nome Cristóvão, nos Pedidos & Sugestões. À partida, considero-o um nome absolutamente normal, porque convivi com uma pessoa da minha idade que se chamava Cristóvão e isso influencia, como é evidente, a forma como o encaro. Às vezes, até lhe chamavam Cris, o que ainda o normalizava mais, aproximando-o um pouco dos nomes usados nos anos 80. Além disso, Cristóvão é um apelido comum entre a população portuguesa, o que faz com que se ouça com bastante frequência e é indissociável do mítico Cristóvão Colombo, tantas e tantas vezes mencionado ao longo das nossas vidas. Está na lista dos nomes medievais portugueses, que é uma das minhas categorias favoritas. E apesar de remeter visivelmente para Cristo [significa "o que leva Cristo"], isso não me incomoda, até porque gosto de Cristiano... Portanto, não é, de maneira nenhuma, um nome que eu rejeite. Mas também não integra o meu lote de nomes preferidos e, dentro do estilo, inclino-me mais para Estêvão. E quanto à sua usabilidade, creio que está no mesmo patamar de Jerónimo, que é um dos meus favoritos: não é um mau nome, não é desconhecido, mas acho que está um pouco distante dos nomes desta geração. Talvez em demasia! 

Pares Perfeitos Masculinos... do passado!

em 05/06/15


Dando continuidade ao post de ontem, aqui ficam alguns nomes de irmãos recolhidos do Nobiliário de Famílias de Portugal, de Felgueiras Gaio: 


  • Afonso & Estêvão
  • Bernardo & Isidoro
  • Diogo & Ambrósio
  • Duarte & Melchior
  • Francisco & Fradique
  • Henrique & Jerónimo
  • Henrique & Tristão
  • Gabriel & Gaspar
  • Gil & Leão
  • Gonçalo & Cristóvão
  • Gonçalo & Silvestre
  • João & Paio
  • Jorge & Fernão
  • José & Heitor
  • Lourenço & Egas
  • Luís & Bartolomeu
  • Luís & Lopo
  • Martim & Sancho
  • Martinho & Estácio
  • Nuno & Julião
  • Pedro & Inácio
  • Rui & Aires
  • Simão & Fernão
  • Vicente & Jacinto



Egas

em 03/06/15


Já passou muito tempo desde a última vez que reli a coleção Viagens no Tempo, mas aquele universo fascinava-me tanto que acho que tão cedo não vou esquecer as histórias. O primeiro livro, por exemplo, aflorava a lenda de Egas Moniz, o honrado aio de D. Afonso Henriques e, a partir da primeira leitura, passei a gostar muito do nome Egas que, anteriormente, apenas associava ao personagem da Rua Sésamo.
Egas Moniz viveu entre 1080 e 1146, era filho de Múnio e Ouroana e foi casado primeiramente com uma senhora chamada Dórdia e depois com uma Teresa, sendo pai de Lourenço, Afonso, Mem, Rodrigo, Hermígio e Soeiro, e ainda de Dórdia, Elvira e Urraca... Que banquete de nomes medievais
A origem de Egas é um pouco obscura. Uns apontam-lhe raízes árabes, outros dizem que a origem é Ega e que o -S terá influência germânica, outros indicam que está relacionado com Egeas mas os especialistas não chegam a um consenso. Para mim, é pouco importante. Gosto de Egas pela sua ligação emocional ao início da história de Portugal e, se o usasse, seria sempre com o aio Egas Moniz no pensamento. Lembremo-nos ainda de António Caetano, prémio Nobel da Medicina em 1949, que era conhecido como António Egas Moniz porque, ao que tudo indica, era seu descendente. 
Egas não consta da lista de nomes aprovados ou proibidos em Portugal, e não é um nome nada habitual mas eu cheguei a conhecer um da minha idade e é também o nome de um dos filhos do fadista António Pinto Basto. Em 2013 foi registado um menino com este nome e em 2011 foi registado outro. Apesar desta impopularidade e de reconhecer que não é um nome muito apelativo, eu acho-o muito interessante!